segunda-feira, 28 de julho de 2014

Chi chi chi... le le le!

Chi chi chi... le le le! 


Vista do Cerro São Cristovão, no bairro boêmio de Bela Vista 

Melhor do que conhecer um novo país, uma nova cidade é... revisitá-lo!

Sem aquela ansiedade característica que nos dá quando não sabemos nada do país, da cultura local... e temos um monte de locais já definidos para visitar... quando vamos uma 2º, 3°, 4° vez... naturalmente tudo fica diferente.
É como se curtíssemos mais... o povo, a cultura, os costumes, não é?

Talvez de todas as cidades que eu já conheci - nem 5% do que ainda quero conhecer pelo mundo - Santiago do Chile seja a que mais em encanta.

Já fiz um texto nesse blog, tempos atrás, dando dicas de Santiago para quem ia no Inverno.

Mas... Chile é bom no inverno - que delimita um pouco os passeios por conta do tempo.- no verão, no outono... e sobretudo na Primavera, quando seus parques e praças ficam floridos, pintadinhos... tornando mais agradável ainda as caminhadas pela cidade.

Os maiores destaques dessa cidade que fica num vale rodeada pela Cordilheira dos Andes... certamente são os Cerros - os morros - que oferecem uma vista deslumbrante da exuberância que se tornou a capital do Chile.

Os mais importantes são o Cerro Santa Lucia, no centro da cidade; e o Cerro São Cristovão, no bairro da Bela Vista.

Tudo começou no Santa Lucia!
Os mapuches, povo indígena do Chile que resistiu as conquistas pelas espanhóis - o rio que corta a cidade também leva esse nome! - o chamavam morro de Huellen, que significava dor, tristeza.
Mas o grande desbravador do Chile - Pedro de Valdívia - que também é nome de bairro, de avenida, de estação de metro - o rebatizou de Cerro de Santa Lucia de Siracusa, em homenagem ao dia da conquista da cidade, em 13 de dezembro, o dia da santa.
Rodeado por escadas em todos os lados que levam ao mirante... esse local proporciona uma bela visão 360º de toda a cidade. Para os que gostam de artesanatos, bem em frente, há um mercado de produtos artesanais... que pode ser interessante.

Porém... na minha opinião, mais bonito que ele... é o Cerro de São Cristovão, não muito distante dali.
Aos pés do bairro boêmio da Bela Vista, no final da Calle Pio Nono, esse morro de mais de 800 metros acima do nível do mar... é o "Parque Ibirapuera" dos Santiaguinos.
Se for num domingo de manhã... a dica é pegar o funicular - hoje administrado pela empresa Turistik ( a ida e volta aprox. uns 2600 pesos ) e aproveitar a vista da cidade, desde o início da subida.
Ponto obrigatório de todos que vão a Santiago!
Docinhos vendidos lá em cima, no Cerro

Lá em cima... além das barraquinhas de artesanato e o famoso Mote com Huesillos - uma espécie de suco de cérebro, doce e diferente que só se encontra no Chile - é possível ver a estátua da Virgem, além de uma infinidade de ciclistas, corredores, esportistas... ou de gente que sobe até lá...apenas pela paisagem.

Quando o tema é museu... Santiago apresenta boas opções, em sua maioria gratuitas.

Um dos que eu visitei, um pouco mais distante do centro da cidade, num local chamado Quinta Normal - um parque com vários museus, um lago com pedalinhos - sim, lá ainda existe pedalinhos! - foi o Museu da Memória e dos Direitos Humanos.

Museu da Memória, em Quinta Normal
E fica a dica! Vá!
Não fique com preguiça - ou medo - em pegar o metro, mudar de linha e descer no meio do vuco vuco que sempre tem na frente do parque.

Esse museu tem uma construção super moderna feita de cobre ( o principal produto do Chile! ) e vidro, e é sustentado por estruturas metálicas que teve inclusive arquitetos brasileiros na concepção do projeto ( do escritório Estudio América ).
E esse modernismo se reflete no interior dele, na exposição aberta ao público, que dá uma liberdade ao visitante, de maneira que entendamos a exposição... do nosso jeito.

É possível interagir com a exposição, ouvir os relatos dos presos políticos durante a ditadura de Pinochet ( de 1973 a 1990 ), revisitar replicas das celas onde as pessoas ficavam presas... e o tempo todo, ouvir por meio do som ambiente... os gritos da revolução. Fascinante!

Sentiu fome?!

Uma dica é a famosa Calle Isidora Goynechea - em homenagem a uma aristocrata que foi dona até os anos 40, de boa parte dos terrenos desse bairro.

Calle Isidora Goynechea, que representa a
pujança econômica do Chile. 
Num dos bairros mais modernos da cidade onde se pode ver a pujança da economia chilena, no coração de Las Condes e Vitacura, essa rua concentra muitos restaurantes, bares e cafés.

Dos mais famosos e internacionais... aos mais acolhedores, com boa comida e ótima recepção, como Caricato Bistrot, de proprietários brasileiros bastante atenciosos.

Após almoçar por lá, ou jantar uma boa pizza no Tiramissú que fica bem ao lado... sugiro andar mais um quarteirão e tomar um expresso no Café Juan Valdez, no melhor estilo café latino.

Eu sempre fico no tradicional... bem tirado, forte... um típico café colombiano. Muito bom!





Não muito distante dali, pra quem curte a natureza, há uma ótima opção! Parque Bicentenário, atrás da prefeitura de Vitacura.
Lá também fica um outro restaurante muito conhecido - e com uma vista maravilhosa - chamado Mestizo.
Ampla área de lazer, lago com cisnes e flamingos, árvores espaçadas, um jardim aromático cheio de rosas e alecrim ( que ficou para eu conhecer na minha próxima ida até lá ) e mesas de xadrez adaptadas para cegos. 
A acessibilidade que não vi no metrô de Santiago - o nosso de São Paulo nesse aspecto é muito melhor! - eu vi nos parques e praças. 


Lago de cisnes no Parque Bicentenário! Um sossego só! 


Vale conferir! Vá com alguém, ou sozinha... e caminhe sem pressa por suas alamedas!

No inverno, além dos vinhos e dos restaurantes... muitos optam por subir a montanha, em direção às estações de esqui. Há 3 delas, mais próximas de Santiago.

Valle Nevado - a mais cara e tema de um outro post desse blog. El Colorado e Farellones - o mais popular dos 3, com atividades para quem não quer esquiar ou praticar snowboard, como o tubing - uma espécie de skybunda deles, na neve! - a tirolesa ou o circuito de pontes e cordas.

Entrada da estação de esqui, em Farellones 
Já em El Colorado - que eu ainda não conheço - há um teleférico que te deixa no alto da montanha, com uma vista deslumbrante da natureza.

Prepare o bolso! Se em Santiago, os preços já são altos ( bastante semelhantes ao Brasil, na conversão )... em cima da montanha... bote uns 60% a mais. Se gosta de frio, e topa o investimento... vá fundo!

Algumas pessoas me perguntaram se vale a pena ficar hospedado lá em cima, na montanha. A resposta é ... depende.
Em Valle Nevado - lembre-se, o mais caro de todos - há 3 hotéis, alguns restaurantes bem caros e ... só! Será você, o silêncio... e a neve, num frio que pode chegar há menos 10º facilmente.

Durante a temporada de inverno, é fácil trombar com europeus - eles usam macacões bem coloridos, e são sempre os mais equipados - e com muitos, muitos brasileiros. Os que estão indo pra realizar o sonho de conhecer a neve... e aqueles que vão com a família, as crianças... pra esquiar mesmo. Tem brasileiro que leva aquilo à sério, viu?!

Um dos bairros com maior concentração de hotéis e flat é Providência.
Bairro cheio de comércio, Shopping center, ótimos restaurantes e muitas, muitas farmácias - sim, lá no Chile ótimos cosméticos são vendidos nas farmácias por preços bem melhores que no Brasil. Ahumada, Cruz Verde e Sacolband são as mais conhecidas.

Minha ultima dica desse post é o Mercado de Providência, atrás da Biblioteca Nacional. Um mercado bem menor que o mercado central, porém... mais acolhedor.


Ir ao Chile e não experimentar uma típica empanada seria um sacrilégio. E nesse mercado, há a empanada mais gostosa e suculenta que eu já comi no Chile. E por um preço... bem mais justo que nos pontos turísticos. ( mil pesos! )

Coma a de camarão com queijo e depois me conte... o que achou! ... dos deuses!

Lá pertinho, também encontra-se bons restaurantes, em charmosos sobradinhos. Dica: Luca - tem também o Luca café, com decoração alegre, que remete aos anos 50.

Bom... falar sobre viagens é sempre um prazer e traz boas lembranças. A vontade de ir novamente.
Pessoas especiais que conhecemos, lugares, sabores, cheiros... isso trazemos na mala de nossa memória, e ninguém nos tira.

Se você já foi ao Chile ou se pretende ir ... espero que essas poucas dicas ( juntamente com o outro post desse blog ) o ajude a ter uma ótima experiência.

Agradecimento especial ao Edmo e a Leonor, do Caricato Bistrot. Ao Gustavo e a Paula, de Itatiba. E ao José Fernando, de Recife.

E a você ... que parou pra ler essas dicas!

Até a próxima viagem!


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Londres, pra todo mundo!

Londres, pra todo mundo! 


London Eye e o Parlamento, vistos da saída do metrô

Pra quem vai pela 1º vez ou quem já conhece, Londres é sempre um local de descobertas. 
Uma cidade moderna, cosmopolita porém, que preserva as belíssimas construções e os locais públicos, os parques, museus, teatros, etc. 

Capital da Ingraterra, Londres está localizada mais ao sul dessa grande ilha - uma das muitas Ilhas Britânicas da Europa, no chamado Reino Unido. Escócia ao norte, Inglaterra ao sul e país de Gales, à oeste. 



Terra do Big Bang, dos ônibus vermelhinhos de 2 andares ( com motoristas muito gentis por sinal ), do mais recente cartão postal - o London Eye, dos punks sentados na fonte da Picadilly Circus e dos estilosos taxis pretos; Londres é uma das mais importantes capitais do mundo. 


Trocadero, centro comercial
Incluindo as cidades próximas, na região metropolitana, Londres deve estar com seus 11, 12 milhoes de habitantes. 
É muita gente, andando num ritmo frenéticos pelas ruas, pelos Tubes ( lá o metrô chama-se assim ) ou nos ônibus vermelhos, de 2 andares. 


Entrou de carro na City, paga caro! 

Londres é muito bem servida de transporte público, 

Uma verdadeira cidade subterrânea existe com o metrô, que te leva para os extremos com velocidade e segurança. 
Dica: pegue na entrada de uma das estações um mapa do metrô, pra ter minimamente noção da quantidade de linhas e conexões existentes. 
Pode-se comprar bilhetes válidos para 1, 2 e 6 dias. Compensa mais!





Vá a Camden Town de metro - Terra da cantora Amy
Se for pra lá no mês de Abril, o frio mais intenso já terá ido embora. Entre Junho e Agosto, o verão londrino propicia ótimos passeios ao ar livre, nos concertos e festivais que ocorrem pelos parques, ainda que a cidade fique mais cheia ainda, com filas intermináveis. 
Mas se for a partir de outubro, verá um lindo e colorido outono, com suas folhas em vários tons de amarelo caindo pela cidade. Eu fui! E é lindo! 

A cidade tem boas opções de hospedagem, que vão desde o Savoy ou o famoso Ritz com todo o seu luxo e ótimo serviço, até os Bed & Breakfast, num preço mais camarada e serviços simples e práticos, mais na ponta baixa da cidade. 

Bairros como Kensington, Belgravia tem ótimos hotéis, enquanto os B&B ficam mais próximos a Bloomsburry, Soho ( região dos orientais, a Chinatown deles ), ao Convent Garden. 
Em Notting Hill, mais para o leste, além da simpática feirinha, das antigas e tão charmosas livrarias, e da famosa porta azul ( que não é mais azul ) do filme, há também alguns hotéis Boutiques e B&B. O interessante de ficar hospedado nessa região, é que estará imerso 100% na cultura local.  
Dica: evite a área da City - o centro financeiro de Londres. Aos finais de semana e a noite, fica um tremendo deserto.  
Pelas ruas de Notting Hill

O londrino tem algumas características peculiares: trabalha, come, bebe e compra. 

Caminhe pela Regent ou na Oxford Street - a rua mais famosa de comércio, e entenderá isso. Impressionante como eles consomem, compram nos templos da moda, que ditam tendências para o resto do mundo. 

Quanto a comer... aí pode ser um caso mais sério. Pra você, para o seu bolso e sobretudo, o seu estômago. 

A comina londrina não tem mesmo uma boa fama. Além do conhecido e simples Fish and Chips, por lá, comece-se tudo com muito molho. A comida nada mesmo nos molhos. Há uma forte influência da culinária chinesa e indiana. 

Eu, como fui com o orçamento apertadinho, comia sempre no Trailer à frente do Hyde Park. 
Um Hot Dog e uma Água, por 6 libras, numa cidade como Londres - por incrível que pareça, é um bom negócio. 


Minha refeição de cada dia! 
Há boas opções de museus gratuitos pela cidade. British Museun, National Galery, Tate Modern. Aproveite!
Já o Madame Tussauds - o famoso museu de cera - além de pago, costuma ter filas enormes na porta, de turistas do mundo todo.

Ainda sobre os sightseems, há o Parlamento, ao lado da Abadia de Westminster - belíssima construção em estilo gótico, do início do século X.
O London Eye - a maior roda gigante do mundo, com 135 metros de altura, e sua fila gigante de turistas que pagam 18 libras para subir em uma das cabines, e ter uma vista muito bonita e privilegiada da cidade, sobre o rio Tamisa.
A ponte de Londres - a mais famosa do mundo, é parada certa para uma boa foto.
Suba a Torre e visite a sala de máquinas à vapor originais que acionam os braços basculantes da ponte, que se abrem para os grandes navios passarem. É incrível!
Está localizada na região de um antigo forte romano, e no reinado de Henrique VIII, suas torres foram transformadas em prisão.
Hoje em dia, é lá na Torre que as jóias da Coroa Britânica são guardadas. Mas pode-se vê-las. A exposição fica aberta a semana toda. Vale a pena também!

Talvez a construção mais famosa e emblemática de Londres seja ele, o relógio do Big Bang, o símbolo da pontualidade britânica.


Praça em frente a Abadia. Escultura do Mandela.
O que será que ele diria a Rainha, não?

Essa torre do relógio foi construída após o incêndio que destruiu o Palácio de Westminster, por volta de 1830.
Está ao lado do Parlamento, um dos mais belos conjuntos arquitetônicos da cidade. É lá que abriga a Câmara dos Lords e a Câmara dos Comuns. Ehh... desligue também aqui o seu senso crítico, como eu fiz.

A maioria das pessoas que vão à Londres, querem assistir a troca da guarda no Palácio de Buckingham - a residência oficial da Família Real.
Eu nunca consegui assistir lá, pela quantidade de turistas posicionados nos portões. Se você for pequena como eu sou, desista.

Vá ver as lojinhas, a Trafalgar Square, se divertir de outra forma, e deixe para ver a troca mais de pertinho, quando for ao Palácio de Windsor - a residência de férias da Rainha, a cerca de 1 hora de Londres.
Ahh... se for em Junho à Londres, vá à Buckingham para ver o desfile das carruagens da Rainha, quando ela sai para comemorar o seu aniversário.


Eu não consegui ver a troca de guarda em
Buckinghan. Até o soldadinho da rainha, o de enfeite, é maior que eu! ;-( 

Por falar em Trafalgar Square, no centro de West End, fica essa famosa praça, que já foi um estábulo.
Hoje, tem uma enorme fonte ao centro, e é o point dos locais, ponto de encontro para comemorações públicas, shows.
Dessa praça, é possível ver vários pontos turísticos da cidade. Vale a pela sentar num café e observar o tempo passar.

Se bater o cansaço, descanse em um dos bancos dos parques planos e tão bem conservados, como Hyde Park, o Greenwich - sim, é lá que passa o meridiano - ou o Saint Jame's.
É tudo muito limpo e organizado. Uma beleza!


Hyde Park, e suas folhas caídas no Outono. Tão bonito! 

Mas... quando for a Windson, aí sim verá o que é realeza!


Windsor Castle - 900 anos de história! Se a bandeira estiver levantada, a Rainha está em casa! 


Residência da Rainha, e o maior castelo ocupado do mundo, há mais de 900 anos, tem salas, aposentos e corredores com as mais finas obras de arte, a sala das pratarias, das bonecas... tudo muito interessante.
Durante a visita aos aposentos do Palácio, não deixe de ver a sala da Índia ( não me lembro se esse é o nome ) mas, onde está um tapete ganho de presente, que é tão grande, mas tão grande, que não cabe em toda a sala, e fica parcialmente enrolado.


Comércio nos arredores do Castelo de Windsor 

No entorno do palácio, há uma simpática vila, com lojas, cafés e comercio em geral.
Se quiser compras lembranças da viagem, deixe para comprar por lá.

Os preços costuma ser mais em conta do que no centro de Londres ou no próprio aeroporto de Healthrow - um aeroporto que parece mais uma cidade de tão grande.

Há muito mais coisas boas, interessantes e descoladas para se fazer nessa grande cidade que é Londres.

Chegando por terra, por navio ( eu fui pelo Canal da Mancha ) ou pelo ar... vale passar uns bons dias nessa grande metrópole.

Vá com espírito de aventura, de desconhecido, mente aberta para novidades.
E descubra... um jeito próprio de viver, de encarar a vida, assim como os londrinos fazem!

Senhores passageiros, tenham todos... uma boa viagem! ;-)

domingo, 24 de março de 2013

Aqui pertinho... tão charmoso!

Aqui pertinho... tão charmoso! 


Ramblas que costeiam toda Montevideo
"... de nuestros miedos nacen nusestros corajes. Y en nuestras dudas viven nuestras certezas...". Eduardo Galeano, poeta uruguaio.

Há quem viaje por lazer, mas só de forma planejada.
Roteiro, locais a visitar, tudo previsível.
E há aqueles que, tendo milhas, economizam algum dinheiro, com um pequeno orçamento e o mapa da cidade... já pegam a estrada.

E... conhecer Montevideu pode ser assim!
Capital do Uruguai - o país mais seguro e menos corrupto da América do Sul - a cidade é pequena e plana ( não sei porque o Uruguai não investe em ferrovias, uma vez que não tem petróleo por lá )

Por falar em petróleo, em preços; ao chegar no Aeroporto de Carrasco, há uns 20 km do centro da cidade, já se percebe que os preços são salgados.
Uma explicação econômica pra isso é que o país vive basicamente de agricultura (e como outros países da América do Sul, exportam commodite, matéria bruta, produtos de baixo valor agregado).
Desde a gasolina, os alimentos e a maioria dos produtos... quase tudo é importado, o que encarece o custo de vida.

Até a erva mete deles é coisa nossa, brasileira. 

Se for com um curto orçamento, no próprio aeroporto, pode pegar um ônibus que passa nos principais bairros da capital.Os taxis do aeroporto são bem caros ( mais de 1000 pesos, até o centro da cidade )
Não se preocupe... a população de Montevideu é de pouco mais de 1,5 milhão de habitantes - se bobear, seu bairro, sua cidade, possui mais habitantes que isso.


Ramblas às margens do rio la plata

A principal paisagem da cidade são as Ramblas - os grandes calçadões que vão beirando o rio de la Plata - que os uruguaios chamam de mar.
Passe algumas tardes por lá, sente-se nos bancos espalhados ao longo das Ramblas, e observe o pôr do sol. É lindo assistir! Se for acompanhado, deve ser melhor ainda.
Para imergir nos hábitos locais, não deixe de tomar um mate enquanto isso.
Tudo é motivo para os uruguaios tomarem o mate... por toda a cidade pode-se vê-los com uma garrafa térmica com água fervente embaixo de um braço, e a cuia com o mate no outro.

Parrilhas do Mercado do Porto 


Outro ponto turístico importante de Montevideo é a cidade velha, onde está o famoso Mercado do Porto.
Vá caminhando - por lá não há metrô, e os ônibus são bons, porém velhos - e observe as construções antigas dessa região.
Sinta o cheiro, as texturas. Ouça os locais conversando. É divertido... e culto!




A grande avenida 18 de Julio, região de comércio de rua da cidade, te levará até a Praça da Independência, a mais importante da cidade, onde está o monumento em bronze que homenageia o general Jose Artigas, quem liderou os movimentos de libertação do domínio Ibérico no país. Há um mausoléu com os restos mortais aberto à visitação no meio da praça, embaixo do monumento.
Lá estão também o Palácio Salvo, em um belíssimo edifício, e o Radisson Hotel, com o Casino Bacarat ao fundo.

Plaza Independencia no centro de Montevideo
Desta praça já é possível avistar o Teatro Solis, numa linda construção de 1856, que teve várias modificações por questões políticas.
O nome do teatro - como muitos pensam - não tem relação com o sol que está na bandeira do país, mas sim trata-se de uma homenagem ao navegante Juan Diaz de Solis, que comandou a 1º navegação européia que chegou no rio de la plata.

Teatro Solis - há boas peças gratuitas 
Atravesse a rua lateral ao teatro, e verá as ruínas das pedras que do início da construção. Interessante!
Há visitas guiadas ( uns 50 pesos - uns 5 reais ), que duram cerca de uma hora. Eu recomendo!
Há guias em português, inglês ou espanhol, que explicam detalhadamente toda a história desse teatro, tão importante para os Uruguaios, e o 3º mais importante da América do Sul.

Candombé

A construção por dentro, foi inspirada nos operas líricas europeias - observe o formato de ferradura da platéia - e a história das tertúlias, dos camarotes, é um caso à parte.

E de lá, suba pela simpática rua que dá acesso a Sarandi. E veja a Puerta de la Ciudadela - um grande portão que começou a ser construído em 1740, para proteger a colônia espanhola dos ataques portugueses.
Vá até a Plaza Zabala, onde além da Igreja de São Jose, há bons cafés, lanchonetes, e sorveterias, com preços mais camaradas.

Mais à frente, estará o Mercado do Porto, com 150 anos, e uma grande concentração de restaurantes de parrilhas. Essa região é visita obrigatória.
O preço não é suave, mas vale um almoço no balcão mesmo, observando como eles assam as carnes nas parrilhas expostas bem na frente dos clientes.

Pelas ruas da cidade velha 
O aroma e o ruído, perfeitos para descobrir como o uruguaio aproveita a vida.




Um outro local bacana para se visitar, sobretudo numa manhã de sol, é o Parque Rodó, na Rambla Presidente Wilson, criado no fim do século XIX.

Parque Rodó








É o mais popular da cidade. Bem conservado, seguro e limpo, ideal para caminhadas e boas fotos da natureza. Há várias manifestações artísticas por lá, tanto para crianças quanto adultos.

Bairros como Punta Carretas, Pocitos, Playa Ramirez - e a belíssima construção que abriga a sede do Mercosul - são ótimas opções de passeios tranquilos.

Pra quem gosta, Montevideo é bem servida de centros de compras: Shopping Punta Carretas, Montevideo Mall e o Shopping Trez Cruzes, onde fica a rodoviária da cidade, além da Avenida 18 de Julio, com seu comércio popular.


Punta del Este 
Quem quiser ir conhecer Punta del Este - balneário chiquetoso  pertencente a Intendência de Maldonado, poderá pegar um ônibus na Rodoviária Três Cruzes,  e seguir por estrada bem conservada, por aproximadamente 3 horas.

Cidade de praia de areias branquinhas... uma versão reduzida de Miami.
Punta tem prédios modernos, lanchas reluzentes e restaurantes de pescados caríssimos, na orla.

Playa Mansa 
Se Montevideu é caro, em Punta... os preços vão nas nuvens!

Praias como La Barra, Manantiales, logo depois da ponte ondulada que passa sobre o rio Maldonado, são bons locais para apreciar as casas de veraneio, o Hotel Fasano Las Piedras, que está dentro de uma espécie de condomínio beach & country.
Região de mansões de magnatas ( ou daqueles que lavam dinheiro, comprando casas, apartamentos, que permanecem fechados quase todo o ano - informação que um dos locais me contou quando estive na cidade ).

Escultura Los dedos encravada na areia 
Um dos locais mais visitados e fotografados é a escultura Los dedos, na Playa Brava - o lado do oceano, em Punta.
Essa é uma escultura famosa, encravada na areia da praia, feita pelo artista chileno Mario Irarrazabal, em 1982, num concurso, como forma de representar a mão do homem na natureza.
A escultura fez tanto sucesso, que anos depois, ele fez réplicas para a cidade de Madrid, para o deserto de Atacama no Chile, e para a Venezuela.

Pier de Punta 

Ao voltar para Montevideo, se dê de presente uma noite numa das comparsas de candombé - o ritmo local, que tem nos tambores sua principais característica - ou numa tangueira - os uruguaios também gostam de tango, ou ainda saboreando uma parrilha com uma taça de medio a medio - uma mistura de vinho branco com espumante que eles tomam gelado por lá.

Montevideo é cidade para ir acompanhado - fica mais romântico - ou só.
E para aproveitar com calma, prazer.

Punta del Este já é cidade agitada, baladeira, fashion. Quem gosta e vai só, e estiver disposto à diversão... poderá se esbaldar.

Por gosto turístico, gastronômico ou curiosidade... eu recomendo uma visita a esse nosso simpático vizinho.


Senhores passageiros... tenham todos uma boa viagem!















sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

"A América é minha terra. Mas Paris é minha casa"

"A América é minha terra. Mas Paris é minha casa"


Souvenirs vendidos nas barraquinhas no patio do Trocadero, em frente a Torre Eifell 

Essa é a famosa frase da escritora e poetisa Gertrude Stein, uma das exiladas do bairro de MontParnasse - bairro boêmio, refúgio de artistas, pintores, escritores no início do século XX em Paris, França.

Frase bonita, pra cabeça desse texto com algumas dicas de viagem da cidade luz.
Escrever sobre Paris, pra mim, é remexer em boas lembranças, na vontade de me transportar até lá e ficar sentadinha por horas, nas escadarias do Trocadero, alheia aos turistas, observando a Torre Eiffel.
Cidade dos apaixonados, dos românticos, ou dos solitários em busca de passeio, história, cultura.

Sente-se num dos  degraus do Trocadero e ... observe a torre brilhar! 

Paris é cidade que não pára. Uma das importantes capitais do mundo, com história e cultura de séculos, hoje em dia atrai mais de 30 milhões de visitantes por ano. Quem tem a oportunidade de conhecê-la... sempre volta com boas histórias pra contar.

Se vai só ou acompanhado, caminhe pela principal avenida da cidade, a Champs Elysees, mas desvie das pessoas cheias de sacolas e máquinas fotográficas no colo.
Arco do Triunfo - cuidado com os carros!

Turistas do mundo inteiro, caminham por suas largas calçadas, e quando param pra tomar um legítimo expresso francês - pode ser no Fouquet's ao lado na loja mais chiquetosa da cidade - Louis Vuitton, do hotel George V - já percebe que está na capital mais cara do mundo! ... facilmente, desembolsa 4 euros por uma xícara de expresso nessa região. ( se fizer a conversão de tudo... melhor nem sair do hotel!).

Mas se for acompanhado, e quiser fazer um charme para a namorada, vale um jantar em uma de suas mesas.
Seja romântico... nós gostamos disso! ;-)

Alguns passos adiante, há opções mais em conta de um bom café... como a Boutique Star Nespresso ou o café da Virgin MegaStore (após caminhar por entre suas prateleiras de DVD e livros, numa construção belíssima).


A cidade é muito bem servida de metrô. Use e abuse deles!


Quem vai à Paris pela 1º vez, pode se direcionar por um bom mapa da cidade, e pela Praça da Estrela, onde está localizado o Arco do Triunfo, um monumento construído em comemoração às vitórias de Napoleão Bonaparte.
Atravesse a avenida ( cuidado com os carros! Motoristas são insanos por lá! ) e vá ver de pertinho o alto relevo do triunfo de Napoleão, os nomes das 128 batalhas e mais de 500 generais.

Ruas de St Germain convidam a uma boa foto
Dessa praça - chamada Charles de Gaulle - saem as principais avenidas da cidade. -  daí vem o nome... praça da estrela ;-)

Observe em cada ponta das Avenidas, as lindas casas, hoje sede das principais embaixadas.

Sem pressa, com um bom calçado nos pés, partindo do Arco do Triunfo, desça pela Champs Elysees, uma das avenidas mais famosas do mundo, observando as lojas de marcas globais - e chegue até a praça da Concórdia, com seu Obelisco de Luxor ( um presente do Egito para a França ), o Museu do Louvre ( o mais visitado do mundo ) e o Jardim das Tulheiras à esquerda de quem desce.

Gaste uma tarde inteira nessa região. Se for em dias de sol, caminhe pelo jardim das Tulheiras... tão bem cuidado.

Para evitar as filas de compras de ingressos do Louvre, há uns anos eles coloraram máquinas de auto atendimento, que vendem os tickets da entrada. Elas ficam na praça de alimentação no subsolo, com acesso tanto pela rua Rivoli quanto pela garagem do Museu. Aproveite e veja a maquete do museu... dá pra ter uma boa ideia da dimensão da construção e das várias alas.
O museu é muito grande, são muitas alas. Pode-se comprar um ticket para mais de um dia. Seguramente, precisará! Mas não vá embora frustrado se não conseguir ver todas as alas. Este museu é pra ser visto aos poucos, em várias visitas.

Pra quem curte compras, uma boa opção é a Rua Rivoli, que fica na lateral da principal entrada do Museu do Louvre. Há muitas lojas de souvenirs, de perfumes franceses ( mas faça sempre a conversão para o real... muito preço é ilusão, não vale a pena comprar por lá!).

Gosta de coisas diferentes?! E de guloseimas?! Uma dica é a loja La Cure Gourmand, na Rua Rivoli.
La Cure Gourmand - um paraíso de doces franceses 

Típica loja de doces franceses, além do bom gosto na decoração e o atendimento cordial, há coisas exclusivas, que não se encontra em nenhuma outra parte do mundo. Vale conferir!

Num outro dia, pra quem vai ficar pela cidade, vale ir até o bairro de Saint Germain des pres, na margem esquerda do rio Sena.

Pra quem vai com o orçamento curto ( como eu sempre fui! ), vale comprar uma típica baguete francesa ( aproximadamente uns 5 euros ) e sair andando, por entre as ruas que circundam a igreja de Saint Germain, atrás da Universidade Sorbone. Caminhe sem pressa! Sinta o perfume, os aromas, os ruídos locais.
P/ curtos orçamentos, a boa baguete francesa

Esse é um típico bairro intelectual, de estudantes, com boas livrarias, sebos, e bistrôs também.
Circule por entre suas ruas estreitas, e volte no tempo! Um tempo onde Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Truffaut... frequentavam seus cafes e bares. De fato... é lindo e transpira cultura, história.

De lá, ao atravessar a ponte do rio Sena subindo pela St. Michel, para a outra margem, verá a Catedral de Notre Dame - aquela mesma do romance de Vitor Hugo, o Corcunda de Notre Dame, à sua direita.

É uma das mais antigas catedrais em estilo gótico, construída no início do século XI, no fervor de uma nova sociedade urbana que nascia.
Observe suas linhas arquitetônicas, tão modificadas ao longo dos séculos. Mas... cuidado! Infelizmente, como toda grande cidade turística, há os oportunistas pela região. Mulheres e crianças pedindo esmola em sua porta, abordando de forma insistente os turistas, é frequente.

De lá, suba a principal rua lateral e pare em uma das barraquinhas de crepe. São uma delícia ( e o preço... mais justo que em muitos restaurantes! ).

Margens do Sena e suas barraquinhas de livros antigos e pinturas 

Observe o Carrosel, em frente ao Hotel de Ville, e os artistas que fazem apresentação de rua por ali. É coisa de cinema!

Na mesma região, um pouco mais pra trás, há MontParnasse. Esse é um bairro histórico e deslumbrante. Com vários artistas, pintores pelas ruas, expondo suas obras.
Pra quem gosta de compras, lá está a famosa Galeiras Lafayette, em um prédio que já é uma obra de arte.
Não deixe de visitar a Basílica de Sacre Coeur, de MontMartre.


Reserve uma tarde, só para a região da Torre Eifell, que pode ser vista tanto pela escadaria do Trocadero, quanto pelo jardins da Escola Militar, que fica ao lado do Hotel dos Inválidos. Este hotel é uma obra de Luis XIV, construída para abrigar os inválidos dos exércitos. Na cúpula do edifício, dizem estar enterrado os restos morais dele... o baixinho mais encrenqueiro da história da humanidade.

Carrosel ao lado do Hotel de Ville
E em frente ao hotel, do outro lado da praça, há um café de esquina, administrado por um português boa gente, que tira um ótimo expresso, por um preço mais camarada.  ;-)

A Torre Eifell, construída por Gustave Eifell, na época, não foi bem aceita pelos parisienses, pelo material no qual foi construída. De ferro fundido, a torre não combinava com as construções da época. E olha como as coisas mudam... hoje em dia... ela é o símbolo mais charmoso da cidade, conhecido no mundo inteiro.
Circular por ali, é ver casais de apaixonados, tirando suas fotos, num clima de puro romantismo. Se está com seu amor ao lado, aproveite e pegue o melhor angulo da Torre.
Se não... peça a St. Michel que na próxima vez que for a cidade, venha acompanhada por um. ;-)

Para um ultimo dia na França, recomendo ir até o Chatêau de Versailles. Fica a cerca de 1:30 do centro de Paris. Pode-se ir de trem também. Mas vá cedo, porque as visitas são com hora marcada e há uma multidão de turistas do mundo todo querendo conhecer o castelo, a sala dos espelhos e seus jardins.

Castelo de Versailles 
Ao entrar no castelo, recomendo... volte no tempo!!!
Tente imaginar aquele povo tão sofrido, faminto e "de saco cheio" dos desmandos da realeza - invadindo o palácio, e provocando a fuga do rei ( e toda a corja de desocupados ) para Paris. Todo o ouro, prata, porcelanas... sendo levados de lá.

Pouca coisa restou da época da invasão do palácio pelo povo 

Caminhe pelos jardins do palácio ouvindo a música de fundo

E ... observe a sala dos espelhos. Essa é uma das melhores partes da visita.
Só cuidado para não tropeçar e cair em cima do turista da frente!
O teto com seus afrescos, e os espelhos da época... até confundem com tanta beleza e história.

Curiosidade: naquele tempo, somente os ricos tinham espelhos. O povo pobre, não sabia o que era um espelho. E ... quando entraram no palácio, botando a realeza pra correr... se surpreenderam com a própria imagem refletida naqueles vidros... e por isso... eu não vou contar o fim da história.
Vale ir até lá e conferir se os espelhos são originais ou não! ;-)

Essas são apenas algumas das muitas dicas dessa cidade cheia de opções. Museu D'orsey, Opera Garnier, Madeleine... há muitos outros lugares para visitar.

Recomendação: vá a Paris de alma aberta, de coração puro.
E volte ... trazendo na bagagem muito mais do que pacotes, mas lembranças de uma história.
A melhor foto, a melhor imagem... não é a da máquina, a do celular... mas a que fica na nossa memória! ;-)

Seja só ou acompanhado... Paris é sempre um convite a contemplação e ao romantismo. ahhhh...

Senhores passageiros, tenham todos... uma boa viagem!

Torre Eifell e as folhas secas de Tuloise que caem no Outono e deixam um colorido especial nas ruas da cidade 

Links deste post:
La Cure Gourmand - http://www.la-cure-gourmande.fr/
Fouquet's - http://www.lucienbarriere.com/localized/fr/restaurants/nos_restaurants/fouquets.htm
Museu do Louvre - http://www.louvre.fr/
Chateau Versailles - http://www.chateauversailles.fr/homepage

















domingo, 17 de fevereiro de 2013

Comissária desatenta

Piada


No meio de uma longa viagem, a aeromoça pergunta a um dos passageiros:
— O senhor aceita uma banana split?
— Não, obrigado... Eu sou diabético!
— Então que tal um pudim de leite condensado?
— Eu não posso! — repetiu ele — Sou diabético!
— Tudo bem — tornou a aeromoça — Que tal a sugestão da casa, ou melhor, do avião? Um delicioso mousse de chocolate, com cobertura de chantilly!
— Moça, você não está entendendo! — disse ele, começando a se alterar — Eu sou diabético!
— Ah, eu sei de uma coisa que o senhor vai adorar: nossa torta de limão! Uma delícia...
— Porra! — grita ele, batendo no braço da poltrona — Eu já falei umas mil vezes que sou diabético!
— Será que você é surda? Eu não posso comer essas porcarias, eu sou diabético! EU SOU DIABÉTICO!!!
— Regina! — grita a aeromoça, chamando uma de suas colegas — O moço aqui tá uma pilha de nervos! Traz uma água com açúcar pra ele!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

"O homem teme o tempo. E o tempo ainda teme as Pirâmides."


Dicas de viagem - Egito 


Pirâmides do Egito 

Aqui estão algumas dicas sobre outro país da região do Oriente Médio, localizado precisamente no norte da África. Diferente, particular em sua cultura, paisagens históricas e mistérios.

O território do Egito, que também contempla a Península de Sinai, na Ásia, o torna um país transcontinental, e tem no rio Nilo, praticamente a única área não desértica da região.

Talvez pelas reportagens dos últimos ano, sobre as manifestações políticas na praça Tahir, no centro do Cairo, onde tudo acontece, o mundo tenha conhecido um pouco mais das agruras vividas por lá.

Assim que desembarquei no Aeroporto do Cairo, ao passar pelos oficiais da imigração "pouco amigáveis", eu tive minha primeira experiência em um dos países mais corruptos do mundo.
Nossa bagagem havia sido furtada na própria esteira de desembarque, e um homem usando uniforme do aeroporto me dizia ( parece que eles gritam, mas é o jeito de falar local) - "Ten dollars, lady. Ten dollars".
Custei a perceber o que estava acontecendo ali. Não tinha nem 40 minutos que eu estava em território egípcio, e já sofria as agruras da corrupção.

Carregando pão nas ruas do Cairo
Se você chegar ao Cairo de madrugada, dê-se por satisfeito. Ao raiar do dia, o trânsito nessa cidade populosa e de ar seco, é caótico. Facilmente, se perde horas para chegar de uma distância à outra. E esqueça faixas de pedestres ou de carros. Nosso guardinhas da CET por lá... iriam enlouquecer.

Trânsito e poluição nas ruas 













Claro que a atração mais aguardada da viagem são elas: As Pirâmides.
Elas estão localizadas num sítio arqueológico nos arredores do Cairo, e após pagar cerca de 60 libras egípcias ( aproximadamente 30 dolares ) e passar por um controle de segurança na entrada do parque, é necessário entrar novamente nos ônibus para chegar próximo às Pirâmides. É distante!

As 3 mais famosas - Guizé (com 146 metros de altura), Quefren e Miquerinos costumam estar abertas para o público. Mas se tiver mais tempo no parque, circule pelas estradas e verá outras Piramides menores ( pirâmides das rainhas, do vale por exemplo )
Há mais de 60 piramides espalhadas por lá. E como venta muito na região, muitas delas estão encobertas pelas areias. Poderá ver pessoas removendo a areia das Piramides, ou mesmo varrendo os degraus por fora. Surreal, como... enxugar gelo. rss

Ao se aproximar de uma delas a reação é a mesma, e o que mais se ouve em todos os idiomas é : "Como é que pode?! Como foi construído isso, naquela época?".
Um dos mistérios da humanidade, sabe-se que as Piramides foram construídas em pedras, como tumbas  para abrigar os corpos dos faraós - pelo costume local, eles achavam que ao conservar os corpos, uma parte do espírito do faraó permanecia no corpo.
Imagine uma múmia do Sarney por aqui no Brasil? - não, melhor nem imaginar. Voltando ao tema do texto...

Chegue pertinho das pedras gigantes e observe que entre uma e outra, não há espaço. Sabe porque?! Justamente para não entrar ar e conservar os corpos lá dentro. E novamente vem a pergunta: como?!

Do lado leste do complexo está a Grande Esfinge. Há quem diga que a cabeça da Esfinge é de Quefren - um dos "donos" das pirâmides maiores.
Vários grupos de turistas param ali para tirar fotos, com a Esfinge e as Piramides ao fundo. Tire a sua também! E se quiser, pague 10 dolares para subir em um dos camelos que circulam por ali, e tirar uma foto em cima do bicho.

Sem dúvida, vale passar umas boas horas neste lugar. Voltar no tempo e tentar decifrar o enigma... como essas construções foram feitas.
Mas, com um olhar mais crítico, não deixe de observar que ... a maioria das ruas dentro do parque estão mal conservadas. Que há uma infinidade de vendedores ambulantes em torno das Pirâmides oferecendo souveniers aos turistas ( porque não existe um coffee shop, alguma estrutura turística lá dentro ).
Aí... faça umas contas como eu fiz... "se cada turista pagou 30 dolares para entrar aqui, se por dia entram milhares de turistas do mundo todo... pra onde é que vai todo esse dinheiro?"
Ehh... espero que descubram essa resposta também.

Um outro passeio muito interessante que pode fazer é ao Museu de Saladin, ou Salah Al Din.
Atenção: mulheres precisam entrar na Mesquita de cabeça coberta. Boné não vale! Eu tomei uma baita bronca e tive que me cobrir um uma túnica verde escuro que eles deixam na entrada para os desavisados.

Colunas de Salah al din

Ao adentrar no grande salão, olhe para cima e veja a beleza do lustre, em forma de caracol, que deixa a todos com torcicolo.
As paredes, as colunas de mármore. Tudo é um convite a contemplação. Vá até o patio do museu e observe a bela vista da cidade do Cairo.

Ao sair de lá, dê uma passadinha em uma das lojas de papiros. Por sorte, verá a produção ao vivo de um papiro, um dos elementos mais antigos do Egito e da história da humanidade.
Há de vários tamanhos e pinturas, para se comprar e trazer de recordação.

Outro museu que vale a visita é o Museu Egipcio, um dos mais importantes do mundo, por abrigar grande parte da história da civilização.
Ele é enorme, e logo na entrada, após passar pelo detector de metais, peça um dos aparelhos de som disponíveis em espanhol ou inglês, suba pelas escadas e comece a viajar no tempo. É fascinante!
Museu Egípcio - gaste uma tarde inteira por lá! 

Não estranhe a construção do prédio ter traços europeus. No final do século XIX houve um concurso com empresas europeias, para quem construiria o prédio do museu, e a Bélgica venceu.

Se estiver com tempo na cidade, vá até Khan El Khalili - um dos maiores bazares do mundo, que existe desde 1830. Por suas ruelas estreitas, repletas de gente, encontra-se se tudo: tecidos, tapetes, ouro, perfumes, temperos, doces, etc.
Observe que nenhuma mercadoria tem preço exposto. Por isso... exercite suas habilidades de negociação e ... pechinche. Eles esperam por isso!

Dica importante: Em hipótese alguma, beba água que não seja mineral!


Para chegar em outro local histórico importante da região, a península do Sinai - lá mesmo onde Moisés recebeu os 10 mandamentos em cima do Monte - é necessário viajar por horas a fio pelo deserto do Saara.
Facilmente se vê, às margens da rodovia, os famosos beduínos - povo do deserto, que vive em tendas armadas na areia, e sobrevivem do que criam, como os bodes, e venda de artesanatos aos turistas que passam por ali. O inconfundível turbante nas cabeças denuncia que apesar da quantidade de túnicas que usam, o sol castiga.
Tenda dos beduínos no deserto

Se passar por lá a noite, leve um agasalho. O clima no deserto é escaldante durante o dia, e congelante durante a noite.

Eu me despedi desse país tão misterioso, castigado por anos de um governo ditador e corrupto por terra, na fronteira com Israel.
Minha última vista do Egito, foi passando pelo Canal de Suez, com seus mais de 160 quilômetros de extensão, ligando o porto egípcio ao Mar Vermelho.
É impossível passar pelo canal e não se lembrar da história, das centenas de milhares de pessoas que morreram na construção desse canal no final do seculo XIX, a convenção de Constantinopla, que estabeleceu a neutralidade do Canal ( não era mais da França, nem da Inglaterra, nem de Israel, nem do Egito, mas deveria servir a qualquer nação da região ). E pensar que foi a ONU, com sua missão de paz, em 1974 que reabriu esse canal, após tantas contendas políticas, e guerras.

Trabalhando no deserto do Saara

O que eu aprendi conhecendo o Egito?! Muitas coisas sobre história, cultura, costumes diferentes. Conheci um povo acolhedor, que fala alto e gesticula muito, gosta de negociar e está tentando se reerguer após tanto tempo de corrupção e violência nacional.

Por gosto histórico ou aventureiro... recomendo uma mochila nas costas e ... boa viagem! ;-)

PS - Quem quiser conhecer mais a região, ir a Luxor e cidades próximas, um amigo egípcio está com uma agência de viagens por lá - http://www.mag-travel.com/MakeYourProgram.aspx