quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

"O homem teme o tempo. E o tempo ainda teme as Pirâmides."


Dicas de viagem - Egito 


Pirâmides do Egito 

Aqui estão algumas dicas sobre outro país da região do Oriente Médio, localizado precisamente no norte da África. Diferente, particular em sua cultura, paisagens históricas e mistérios.

O território do Egito, que também contempla a Península de Sinai, na Ásia, o torna um país transcontinental, e tem no rio Nilo, praticamente a única área não desértica da região.

Talvez pelas reportagens dos últimos ano, sobre as manifestações políticas na praça Tahir, no centro do Cairo, onde tudo acontece, o mundo tenha conhecido um pouco mais das agruras vividas por lá.

Assim que desembarquei no Aeroporto do Cairo, ao passar pelos oficiais da imigração "pouco amigáveis", eu tive minha primeira experiência em um dos países mais corruptos do mundo.
Nossa bagagem havia sido furtada na própria esteira de desembarque, e um homem usando uniforme do aeroporto me dizia ( parece que eles gritam, mas é o jeito de falar local) - "Ten dollars, lady. Ten dollars".
Custei a perceber o que estava acontecendo ali. Não tinha nem 40 minutos que eu estava em território egípcio, e já sofria as agruras da corrupção.

Carregando pão nas ruas do Cairo
Se você chegar ao Cairo de madrugada, dê-se por satisfeito. Ao raiar do dia, o trânsito nessa cidade populosa e de ar seco, é caótico. Facilmente, se perde horas para chegar de uma distância à outra. E esqueça faixas de pedestres ou de carros. Nosso guardinhas da CET por lá... iriam enlouquecer.

Trânsito e poluição nas ruas 













Claro que a atração mais aguardada da viagem são elas: As Pirâmides.
Elas estão localizadas num sítio arqueológico nos arredores do Cairo, e após pagar cerca de 60 libras egípcias ( aproximadamente 30 dolares ) e passar por um controle de segurança na entrada do parque, é necessário entrar novamente nos ônibus para chegar próximo às Pirâmides. É distante!

As 3 mais famosas - Guizé (com 146 metros de altura), Quefren e Miquerinos costumam estar abertas para o público. Mas se tiver mais tempo no parque, circule pelas estradas e verá outras Piramides menores ( pirâmides das rainhas, do vale por exemplo )
Há mais de 60 piramides espalhadas por lá. E como venta muito na região, muitas delas estão encobertas pelas areias. Poderá ver pessoas removendo a areia das Piramides, ou mesmo varrendo os degraus por fora. Surreal, como... enxugar gelo. rss

Ao se aproximar de uma delas a reação é a mesma, e o que mais se ouve em todos os idiomas é : "Como é que pode?! Como foi construído isso, naquela época?".
Um dos mistérios da humanidade, sabe-se que as Piramides foram construídas em pedras, como tumbas  para abrigar os corpos dos faraós - pelo costume local, eles achavam que ao conservar os corpos, uma parte do espírito do faraó permanecia no corpo.
Imagine uma múmia do Sarney por aqui no Brasil? - não, melhor nem imaginar. Voltando ao tema do texto...

Chegue pertinho das pedras gigantes e observe que entre uma e outra, não há espaço. Sabe porque?! Justamente para não entrar ar e conservar os corpos lá dentro. E novamente vem a pergunta: como?!

Do lado leste do complexo está a Grande Esfinge. Há quem diga que a cabeça da Esfinge é de Quefren - um dos "donos" das pirâmides maiores.
Vários grupos de turistas param ali para tirar fotos, com a Esfinge e as Piramides ao fundo. Tire a sua também! E se quiser, pague 10 dolares para subir em um dos camelos que circulam por ali, e tirar uma foto em cima do bicho.

Sem dúvida, vale passar umas boas horas neste lugar. Voltar no tempo e tentar decifrar o enigma... como essas construções foram feitas.
Mas, com um olhar mais crítico, não deixe de observar que ... a maioria das ruas dentro do parque estão mal conservadas. Que há uma infinidade de vendedores ambulantes em torno das Pirâmides oferecendo souveniers aos turistas ( porque não existe um coffee shop, alguma estrutura turística lá dentro ).
Aí... faça umas contas como eu fiz... "se cada turista pagou 30 dolares para entrar aqui, se por dia entram milhares de turistas do mundo todo... pra onde é que vai todo esse dinheiro?"
Ehh... espero que descubram essa resposta também.

Um outro passeio muito interessante que pode fazer é ao Museu de Saladin, ou Salah Al Din.
Atenção: mulheres precisam entrar na Mesquita de cabeça coberta. Boné não vale! Eu tomei uma baita bronca e tive que me cobrir um uma túnica verde escuro que eles deixam na entrada para os desavisados.

Colunas de Salah al din

Ao adentrar no grande salão, olhe para cima e veja a beleza do lustre, em forma de caracol, que deixa a todos com torcicolo.
As paredes, as colunas de mármore. Tudo é um convite a contemplação. Vá até o patio do museu e observe a bela vista da cidade do Cairo.

Ao sair de lá, dê uma passadinha em uma das lojas de papiros. Por sorte, verá a produção ao vivo de um papiro, um dos elementos mais antigos do Egito e da história da humanidade.
Há de vários tamanhos e pinturas, para se comprar e trazer de recordação.

Outro museu que vale a visita é o Museu Egipcio, um dos mais importantes do mundo, por abrigar grande parte da história da civilização.
Ele é enorme, e logo na entrada, após passar pelo detector de metais, peça um dos aparelhos de som disponíveis em espanhol ou inglês, suba pelas escadas e comece a viajar no tempo. É fascinante!
Museu Egípcio - gaste uma tarde inteira por lá! 

Não estranhe a construção do prédio ter traços europeus. No final do século XIX houve um concurso com empresas europeias, para quem construiria o prédio do museu, e a Bélgica venceu.

Se estiver com tempo na cidade, vá até Khan El Khalili - um dos maiores bazares do mundo, que existe desde 1830. Por suas ruelas estreitas, repletas de gente, encontra-se se tudo: tecidos, tapetes, ouro, perfumes, temperos, doces, etc.
Observe que nenhuma mercadoria tem preço exposto. Por isso... exercite suas habilidades de negociação e ... pechinche. Eles esperam por isso!

Dica importante: Em hipótese alguma, beba água que não seja mineral!


Para chegar em outro local histórico importante da região, a península do Sinai - lá mesmo onde Moisés recebeu os 10 mandamentos em cima do Monte - é necessário viajar por horas a fio pelo deserto do Saara.
Facilmente se vê, às margens da rodovia, os famosos beduínos - povo do deserto, que vive em tendas armadas na areia, e sobrevivem do que criam, como os bodes, e venda de artesanatos aos turistas que passam por ali. O inconfundível turbante nas cabeças denuncia que apesar da quantidade de túnicas que usam, o sol castiga.
Tenda dos beduínos no deserto

Se passar por lá a noite, leve um agasalho. O clima no deserto é escaldante durante o dia, e congelante durante a noite.

Eu me despedi desse país tão misterioso, castigado por anos de um governo ditador e corrupto por terra, na fronteira com Israel.
Minha última vista do Egito, foi passando pelo Canal de Suez, com seus mais de 160 quilômetros de extensão, ligando o porto egípcio ao Mar Vermelho.
É impossível passar pelo canal e não se lembrar da história, das centenas de milhares de pessoas que morreram na construção desse canal no final do seculo XIX, a convenção de Constantinopla, que estabeleceu a neutralidade do Canal ( não era mais da França, nem da Inglaterra, nem de Israel, nem do Egito, mas deveria servir a qualquer nação da região ). E pensar que foi a ONU, com sua missão de paz, em 1974 que reabriu esse canal, após tantas contendas políticas, e guerras.

Trabalhando no deserto do Saara

O que eu aprendi conhecendo o Egito?! Muitas coisas sobre história, cultura, costumes diferentes. Conheci um povo acolhedor, que fala alto e gesticula muito, gosta de negociar e está tentando se reerguer após tanto tempo de corrupção e violência nacional.

Por gosto histórico ou aventureiro... recomendo uma mochila nas costas e ... boa viagem! ;-)

PS - Quem quiser conhecer mais a região, ir a Luxor e cidades próximas, um amigo egípcio está com uma agência de viagens por lá - http://www.mag-travel.com/MakeYourProgram.aspx



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ceú de brigadeiro. Mas só pra americano!

Ceú de brigadeiro. Mas só pra americanos!

Quem chega no Aeroporto de São Domingos, na Republica Dominicana, facilmente pode ver uma das aeronaves da Gol, estacionada na pista.
Pousar lá, foi a alternativa encontrada pela companhia para fazer a rota São Paulo / Rio de Janeiro / Flórida, sem ter necessidade de comprar novas aeronaves.

A LATAN ( TAM + LAN ), apesar de ter aumentado a frequência de vôos nessa rota, ainda está com menos da metade da operação das gigantes americanas American Arlines, United e US Airways.

"Céus abertos" - esse é o nome do acordo firmado em 2010, que libera esse corredor de vôos entre Brasil e EUA, e permite o acréscimo de novas operações na rota. Por exemplo, quem operava 150 vôos semanais, passou a operar 180.
A TAM e a Gol começaram a fazer essa rota no final do ano passado, mas ainda tem cerca de 70 frequências semanais, ante mais de 150 das rivais americanas.

Olhando assim, parece que o Brasil desistiu de ter companhias aéreas fortes internacionalmente, mas de alguma forma garante que haja uma oferta maior de vôos em rotas como essa, de grande demanda. E assim, "equilibra" mais o preço das tarifas.

Ehhh... abrimos mercado! .. E arcamos com as consequências.

As companhias aéreas americanas e europeias ganham de nós de lavada! Elas ganham em escala! E os nossos custos no setor jogam nossa competitividade embaixo do trem de pouso.
Rotas entre America do Sul e America do Norte representam uma pequena parte do mercado da American Airlines, mas tem um peso grande na operação da TAM, comparado com o total das suas operações. Ou seja.... a AA suporta "perder dinheiro" nesse mercado por muito mais tempo do que a TAM, por exemplo".

Dólar mais barato nesses últimos anos, enorme quantidade de brasileiros viajando para o exterior... esse é um forte elemento que faz brilhar os olhos de qualquer empresário do setor!

E ainda que, torçam o nariz para a concorrência do "céus abertos", as companhias nacionais não tem outra escolha a não ser se adaptar ao novo cenário mundial.
Se houvesse menos corrupção no nosso país, se os dirigentes das refinarias, das distribuidoras fossem mais sérios, se o governo não se metesse no setor... ( esse é um tema polêmico, dá pano pra manga e muita discussão ), e se houvesse impostos mais coerentes, que não onerassem tanto o nosso produto... o céu de brigadeiro internacional... seria nosso. Não deles!