Muralhas de um Tempo
| Vista da muralha da cidade antiga, com a cúpula dourada da Mesquita de Omar à esquerda. |
Cumprimentar as pessoas ao entrar em todos os lugares, dizendo "shalom", lá em Israel é hábito. E um sinal de respeito, desejando saúde e paz ao outro. Essa era a palavra que eu mais ouvia em todos os lugares que passava e, infelizmente, foi a uma das poucas que aprendi.
Começar a escrever sobre algumas dicas de Israel é lembrar de bons momentos, num país relativamente novo, limpo e organizado.
O Estado de Israel está no Oriente Médio, ao longo da costa do mediterrâneo, e faz fronteira com o Líbano, a Síria, a Jordânia, o Egito e a Faixa de Gaza. Existe a pouco mais de 60 anos.
Logo depois que a ONU determinou a repartição do território com a Palestina, em 1948, o então chefe de Estado David Ben Gurion ( hoje o principal Aeroporto do país, em Tel Aviv, tem seu nome ) determinou o Estado de Israel, independente do domínio britânico.
Quem chega a Israel por terra, pelo extremo sul do país, atravessando a fronteira do Egito, pode se deparar com a maravilha da região do Mar Vermelho, com seus resorts luxuosos, frequentados por sheikh. Realmente, o lugar é um paraíso!
E beirando a estrada, é possível avistar a Jordânia, do outro lado.
A 1º cidade logo após a fronteira, chama-se Eilat. Pequena, com uma marina, recifes e lojas que lembram um pouco de Miami. Uma boa opção de compras, já que lá é zona franca, isenta de impostos.
Subindo pela rodovia ( um tapete por sinal ), beirando a Jordânia, vá até a região do Mar Morto - um ponto de referência em turismo religioso e de saúde - visitado por centenas de milhares de turistas, em busca de sua lama altamente medicinal.
| Lambuze-se com a lama do mar! |
Circule por lá e controle-se para não rir com as pessoas lambuzadas dos pés à cabeça com a lama do mar morto. Ou olhar para o mar e ver pessoas sentadas na água, com jornal nas mãos, gritando... "vai logo, tira logo a foto que tá coçando". rsss
Eh, as águas desse mar, banhado pelo Rio Jordão, possui uma alta concentração de sal ( 10 vezes maior que a de qualquer oceano ), o que impede a vida de seres marinhos - daí vem o nome mar morto.;-)
E por isso, é possível sentar-se sobre as águas, sem afundar.
Ao contrário do que pensam, o mar morto não vai desaparecer. O seu principal afluente, o Rio Jordão, ainda capta muitas de suas águas, porém esse fenômeno da natureza, tende a se estabilizar.
Após passar uma tarde agradável e divertida nessa região, vá até as lojinhas de cosméticos e compre algum creme, sais, etc. Ainda que caros, os preços são mais em conta que em outros locais do país.
Um local próximo e belíssimo, que vale a pena uma visita são as Cavernas de Qumran, onde foram encontrados os textos, manuscritos do mar morto, no final da década de 1940.
| Vista de Qumran, com a Jordânia lá no fundo! |
Esses textos foram compilados por um povo chamado Essênios, que viveram na região no século II.
Trata-se da versão mais antiga dos textos bíblicos. Hoje em dia, esses textos estão no Museu de Israel, no Santuário do livro, que eu conto mais abaixo.
No complexo que dá acesso às cavernas, há uma boa estrutura de loja e um pequeno teatro, onde pode-se assistir a um filme de uns 15 minutos, sobre a região e a história dos manuscritos. Vale muito a pena!
Por falar em Museu de Israel, vale uma visita de meio dia, a um dos mais importantes em arte e arqueologia do mundo. Lá estão os rolos dos manuscritos, além de peças de arte Betzalel, arqueologia e relíquias da etnia judaica.
Dê uma boa caminhada pelo jardim das esculturas de arte de Billy Rose, com esculturas de Menashe Kadishman, Pablo Picasso, Henry Moore, Auguste Rodin, dentre outros. É incrível!
| Cúpula do Santuário do livro. Escultura que lembra a tampa dos vasos. |
A cúpula do Santuário do Livro, onde estão os manuscritos, é uma obra de arte à parte, feita por uma dupla de artistas americanos, e tem o formato da tampa dos vasos onde os pergaminhos foram encontrados.
Por sorte, depois da visita, dê uma passadinha na loja do museu e compre um poster com essa imagem de lembrança. ( só cuidado para não confundirem o tubo do poster com uma arma, como ocorreu comigo no aeroporto em Tel Aviv - rsss ).
Finalize sua visita observando a grande maquete de Jerusalém - na época do Segundo Templo - veja a topografia e a arquitetura da época. Dica: observe a cor dos telhados das casas e tente descobrir o porque da diferença. ;-)
Ir até Israel e não conhecer Cesareia Marítima não pode.
Essa é uma antiga cidade e porto marítimo, construída por Herodes o grande. Está no meio do caminho entre Tel Aviv e Haifa. Caminhe pelo parque nacional arqueológico e assista a uma pequena apresentação na tenda construída logo na entrada do parque.
O local, as ruínas, é tudo muito lindo!
| Ruínas de Cesareia Marítima - belíssimo! |
Essa cidade já foi governada por bizantinos, árabes, egípcios, britânicos. Hoje judeus e árabes vivem ali, de forma pacífica.
Haifa é uma cidade importante para a economia de Israel, seja por sua Baía, o porto, como por sua universidade.
| Vista de Haifa, pelos jardins de Bahai. |
Não deixe de ir ao Centro Mundial Bahai - ou Jardins Bahai, como também são conhecidos, considerado patrimônio mundial da UNESCO.
Várias gerações construíram e cuidaram desse jardim, que conta com uma belíssima vista da cidade.
Em Jerusalém, opções não faltam para diversão, cultura e fé.
O famoso Muro das Lamentações ( cujo nome verdadeiro é Muro Ocidental ), encravado no meio das imensas e antigas pedras, é visita obrigatória.
Sinta a energia do local, escreva sua prece sincera num papelzinho e a coloque num dos buraquinhos do muro, como todos fazem. Aproveite e observe como os judeus fazem suas orações, e perceba se eles batem ou não suas cabeças no muro. ( essa eu não conto. Vale ir até lá conferir! )
| Crianças judias em excursão escolar no Muro das Lamentações |
Esse muro foi parte do prédio mais importante que já teve em Jerusalém. Foi uma das 4 paredes que Herodes construiu para suportar a praça onde o Templo foi erguido. Hoje, o que vemos é apenas um pequeno pedaço desse muro. E frequentemente, há grupos de geólogos, cavando pelas redondezas, pelos seus túneis, e encontrando mais pedaços dessa cidade antiga.
A cidade velha de Jerusalém é rodeada por uma muralha de mais de 4 quilômetros, com 7 portões, mais de 30 torres e uma cidadela. E é dividida em 4 quarteirões residenciais: O Armênio, o Cristão, o Muçulmano e o Judaico, onde está o Muro Ocidental.
Caminhe sem pressa pela Via Dolorosa, observando a quantidade de pessoas do mundo todo, de todas as religiões, num sobe e desce cheio de emoção, ao pisar no mesmo local, onde Cristo passou, momentos antes da sua crucificação.
| Um dos 7 portões da cidade antiga |
Caminhe e sinta a energia do local, a magia das paredes de pedra, tente ouvir as histórias, as orações de milhares de pessoas que passam por ali.
As diversas formas de se conversar com Deus, de se conectar com a fé.
Há muitas outras atrações pela cidade, com suas ruas estreitas, vielas - tome cuidado para não se perder por elas, como eu me perdi - o mercado tão colorido e barulhento, com suas barganhas feitas por nós... os próprios compradores.
Passe um tempo no bairro judeu ortodoxo, mas, não estranhe se eles te estranharem. Por lá, quem não usa preto, nem mulheres que usam saias abaixo dos joelhos, não são tão bem vindos assim.
E, antes de ir embora, vá até Tel Aviv, a cidade branca, capital financeira de Israel, moderna e descolada, com sua vida noturna agitada, rodeada de construções em estilo Bauhaus.
Antes de embarcar, prepare-se para um verdadeiro interrogatório.
Não se esqueça de que Israel ainda vive em conflitos políticos, em guerra. E todo e qualquer passageiro, torna-se um suspeito.
O aeroporto mais seguro do mundo está preparado para qualquer surpresa, e não é difícil ser abordado por jovens oficiais ( jovens garotas, com metralhadoras em punho, treinadas pelo Exército) questionando se você ganhou algum presente durante a viagem, se porta algum lenço ou livro. Não estranhe! Infelizmente... tudo isso pode virar uma bomba nas mãos de terroristas.
Seja por gosto religioso, histórico ou aventureiro... conhecer Israel é uma aula de história da humanidade... da nossa história.
Shalom pra todos! :-)

