sábado, 9 de fevereiro de 2013

Shalom

Muralhas de um Tempo


Vista da muralha da cidade antiga, com a cúpula dourada da Mesquita de Omar à esquerda. 

Cumprimentar as pessoas ao entrar em todos os lugares, dizendo "shalom", lá em Israel é hábito. E um sinal de respeito, desejando saúde e paz ao outro. Essa era a palavra que eu mais ouvia em todos os lugares que passava e, infelizmente, foi a uma das poucas que aprendi.

Começar a escrever sobre algumas dicas de Israel é lembrar de bons momentos, num país relativamente novo, limpo e organizado.
O Estado de Israel está no Oriente Médio, ao longo da costa do mediterrâneo, e faz fronteira com o Líbano, a Síria, a Jordânia, o Egito e a Faixa de Gaza. Existe a pouco mais de 60 anos.
Logo depois que a ONU determinou a repartição do território com a Palestina, em 1948, o então chefe de Estado David Ben Gurion ( hoje o principal Aeroporto do país, em Tel Aviv, tem seu nome ) determinou o Estado de Israel, independente do domínio britânico.

Quem chega a Israel por terra, pelo extremo sul do país, atravessando a fronteira do Egito, pode se deparar com a maravilha da região do Mar Vermelho, com seus resorts luxuosos, frequentados por sheikh. Realmente, o lugar é um paraíso!
E beirando a estrada, é possível avistar a Jordânia, do outro lado.
A 1º cidade logo após a fronteira, chama-se Eilat. Pequena, com uma marina, recifes e lojas que lembram um pouco de Miami. Uma boa opção de compras, já que lá é zona franca, isenta de impostos.

Subindo pela rodovia ( um tapete por sinal ), beirando a Jordânia, vá até a região do Mar Morto - um ponto de referência em turismo religioso e de saúde - visitado por centenas de milhares de turistas, em busca de sua lama altamente medicinal.
Lambuze-se com a lama do mar! 

Circule por lá e controle-se para não rir com as pessoas lambuzadas dos pés à cabeça com a lama do mar morto. Ou olhar para o mar e ver pessoas sentadas na água, com jornal nas mãos, gritando... "vai logo, tira logo a foto que tá coçando". rsss
Eh, as águas desse mar, banhado pelo Rio Jordão, possui uma alta concentração de sal ( 10 vezes maior que a de qualquer oceano ), o que impede a vida de seres marinhos - daí vem o nome mar morto.;-)
E por isso, é possível sentar-se sobre as águas, sem afundar.
Ao contrário do que pensam, o mar morto não vai desaparecer. O seu principal afluente, o Rio Jordão, ainda capta muitas de suas águas, porém esse fenômeno da natureza, tende a se estabilizar.

Após passar uma tarde agradável e divertida nessa região, vá até as lojinhas de cosméticos e compre algum creme, sais, etc. Ainda que caros, os preços são mais em conta que em outros locais do país.

Um local próximo e belíssimo, que vale a pena uma visita são as Cavernas de Qumran, onde foram encontrados os textos, manuscritos do mar morto, no final da década de 1940.
Vista de Qumran, com a Jordânia lá no fundo! 

Esses textos foram compilados por um povo chamado Essênios, que viveram na região no século II.
Trata-se da versão mais antiga dos textos bíblicos. Hoje em dia, esses textos estão no Museu de Israel, no Santuário do livro, que eu conto mais abaixo.
No complexo que dá acesso às cavernas, há uma boa estrutura de loja e um pequeno teatro, onde pode-se assistir a um filme de uns 15 minutos, sobre a região e a história dos manuscritos. Vale muito a pena!

Por falar em Museu de Israel, vale uma visita de meio dia, a um dos mais importantes em arte e arqueologia do mundo. Lá estão os rolos dos manuscritos, além de peças de arte Betzalel, arqueologia e relíquias da etnia judaica.
Dê uma boa caminhada pelo jardim das esculturas de arte de Billy Rose, com esculturas de Menashe Kadishman, Pablo Picasso, Henry Moore, Auguste Rodin, dentre outros. É incrível!
Cúpula do Santuário do livro. Escultura que lembra a tampa dos vasos. 

A cúpula do Santuário do Livro, onde estão os manuscritos, é uma obra de arte à parte, feita por uma dupla de artistas americanos, e tem o formato da tampa dos vasos onde os pergaminhos foram encontrados.
Por sorte, depois da visita, dê uma passadinha na loja do museu e compre um poster com essa imagem de lembrança. ( só cuidado para não confundirem o tubo do poster com uma arma, como ocorreu comigo no aeroporto em Tel Aviv - rsss ).
Finalize sua visita observando a grande maquete de Jerusalém - na época do Segundo Templo - veja a topografia e a arquitetura da época. Dica: observe a cor dos telhados das casas e tente descobrir o porque da diferença. ;-)

Ir até Israel e não conhecer Cesareia Marítima não pode.
Essa é uma antiga cidade e porto marítimo, construída por Herodes o grande. Está no meio do caminho entre Tel Aviv e Haifa. Caminhe pelo parque nacional arqueológico e assista a uma pequena apresentação na tenda construída logo na entrada do parque.
O local, as ruínas, é tudo muito lindo!
Ruínas de Cesareia Marítima - belíssimo! 

Se der tempo, vá até Haifa, a maior cidade do norte de Israel, construída nas encostas do Monte Carmelo, aquele mesmo que líamos nas aulas de religião no colégio.
Essa cidade já foi governada por bizantinos, árabes, egípcios, britânicos. Hoje judeus e árabes vivem ali, de forma pacífica.
Haifa é uma cidade importante para a economia de Israel, seja por sua Baía, o porto, como por sua universidade.
Vista de Haifa, pelos jardins de Bahai. 

Não deixe de ir ao Centro Mundial Bahai - ou Jardins Bahai, como também são conhecidos, considerado patrimônio mundial da UNESCO.

Várias gerações construíram e cuidaram desse jardim, que conta com uma belíssima vista da cidade.

Em Jerusalém, opções não faltam para diversão, cultura e fé.
O famoso Muro das Lamentações ( cujo nome verdadeiro é Muro Ocidental ), encravado no meio das imensas e antigas pedras, é visita obrigatória.
Sinta a energia do local, escreva sua prece sincera num papelzinho e a coloque num dos buraquinhos do muro, como todos fazem. Aproveite e observe como os judeus fazem suas orações, e perceba se eles batem ou não suas cabeças no muro. ( essa eu não conto. Vale ir até lá conferir! )
Crianças judias em excursão escolar no Muro das Lamentações

Esse muro foi parte do prédio mais importante que já teve em Jerusalém. Foi uma das 4 paredes que Herodes construiu para suportar a praça onde o Templo foi erguido. Hoje, o que vemos é apenas um pequeno pedaço desse muro. E frequentemente, há grupos de geólogos, cavando pelas redondezas, pelos seus túneis, e encontrando mais pedaços dessa cidade antiga.

A cidade velha de Jerusalém é rodeada por uma muralha de mais de 4 quilômetros, com 7 portões, mais de 30 torres e uma cidadela. E é dividida em 4 quarteirões residenciais: O Armênio, o Cristão, o Muçulmano e o Judaico, onde está o Muro Ocidental.
Caminhe sem pressa pela Via Dolorosa, observando a quantidade de pessoas do mundo todo, de todas as religiões, num sobe e desce cheio de emoção, ao pisar no mesmo local, onde Cristo passou, momentos antes da sua crucificação.
Um dos 7 portões da cidade antiga
Sem dúvida, o único local no mundo onde todas as religiões se congregam. É emocionante!
Caminhe e sinta a energia do local, a magia das paredes de pedra, tente ouvir as histórias, as orações de milhares de pessoas que passam por ali.
As diversas formas de se conversar com Deus, de se conectar com a fé.

Há muitas outras atrações pela cidade, com suas ruas estreitas, vielas - tome cuidado para não se perder por elas, como eu me perdi - o mercado tão colorido e barulhento, com suas barganhas feitas por nós... os próprios compradores.

Passe um tempo no bairro judeu ortodoxo, mas, não estranhe se eles te estranharem. Por lá, quem não usa preto, nem mulheres que usam saias abaixo dos joelhos, não são tão bem vindos assim.

E, antes de ir embora, vá até Tel Aviv, a cidade branca, capital financeira de Israel, moderna e descolada, com sua vida noturna agitada, rodeada de construções em estilo Bauhaus.

Antes de embarcar, prepare-se para um verdadeiro interrogatório.
Não se esqueça de que Israel ainda vive em conflitos políticos, em guerra. E todo e qualquer passageiro, torna-se um suspeito.
O aeroporto mais seguro do mundo está preparado para qualquer surpresa, e não é difícil ser abordado por jovens oficiais ( jovens garotas, com metralhadoras em punho, treinadas pelo Exército) questionando se você ganhou algum presente durante a viagem, se porta algum lenço ou livro. Não estranhe! Infelizmente... tudo isso pode virar uma bomba nas mãos de terroristas.

Seja por gosto religioso, histórico ou aventureiro... conhecer Israel é uma aula de história da humanidade... da nossa história.

Shalom pra todos! :-)



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A culpa é dos Publicanos

A culpa é dos publicanos 

Muitas pessoas me perguntam, e se perguntam, porque viajar para fora do Brasil, por vezes, é mais barato do que viajar para nossas praias, montanhas e grandes capitais.
Eu também... sempre me fiz essa pergunta!
Vivemos num país de natureza exuberante, de cultura vasta, povo hospitaleiro e com história pra contar... mas parece que somos impedidos de viajar para nosso próprio país, em virtude dos preços nas alturas das passagens aéreas.

Uma das explicações econômicas para esse "fenômeno" são eles... eles... os impostos.

Em média, cobra-se um valor de 19% de ICMS sobre o preço do combustível no Brasil, o que onera o abastecimento de um avião para voar dentro do país, em detrimento de uma aeronave que fará voo internacional.

Companhias aéreas nacionais e internacionais, que voam para o exterior, pagam hoje R$1,98 o litro de combustível em Guarulhos. Para voos domésticos, o litro no mesmo aeroporto, custa R$ 2,65.

Além disso, ao abastecer a aeronave em destino internacional, a conta fica mais barata.

Nosso hermanitos Argentinos, por exemplo, pagam o querosene de aviação R$ 1,85. Quase 40% a menos que o preço cobrado em Guarulhos para voos domésticos. Com um detalhe: A Argentina cobra esse valor apenas para companhias estrangeiras, isentando a cia nacional - AA - da taxa de IVA ( Avalie Added Tax ) de 20%.

Nos EUA, as cias americanas gastam 40% a menos do que as brasileiras, para voos regionais. Isso já com os impostos.

Nosso sistema tributário é perverso. A cobrança de ICMS por exemplo, tem variações de Estado para Estado. RJ e MG atrairam mais voos nos últimos anos, com uma política de redução de ICMS em relação a SP. Lá, são recolhidos de 12 a 13%, enquanto que em SP, recolhe-se 25%.

E, como se já não bastasse, há ainda um adicional de 25% do valor de fretes, destinado à "renovação da frota da Marinha Mercante".

Todo o setor, já pleiteia junto a ABEAR - Associação Brasileira das Empresas Aéreas - a unificação da cobrança de ICMS em 12%, além de alterações no sistema de precificação da Petrobras.

Nosso produto, ainda é precificado com base no preço do Golfo do México, com um adicional de frete de importação de 100% - isso porque 75% são originários daqui do Brasil.
Isso torna o nosso querosene de aviação vendido no mercado doméstico um dos mais caros do mundo.

Mais caro até que de países em guerra, como Afeganistão, ou países sem estrutura eficiente, como a África.

Hoje, o combustível já representa 40 a 45% dos custos das cias. aéreas, e nos últimos 3 anos, apresentou um aumento de quase 60%.

Por essas e por outras, meus caros amigos... pagamos o que pagamos, temos um trecho de ponte aérea RJ-SP mais caro do mundo, e mais e mais brasileiros indo conhecer a terra do Tio Sam, do que os batuques e tamborins da Bahia, de Recife, por exemplo.

Esses publicanos coletores de impostos... até os dias de hoje... arrancam o nosso couro.
E nós, o que fazemos?!

Em tempo... abriram uma vaga de emprego: Presidente da Petrobras. Mas, cuidado... essa empresa não anda lá muito bem das pernas não.

Brasil, mostra tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim...

bjs,

Fonte: Abear


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013


Lisboa, com cheiro de flores e de mar ... cheira bem, cheira a Lisboa! 


Embalada nessa melodia de Amália Rodrigues, escrever sobre algumas dicas de Portugal, sua capital e as pequenas Vilas próximas é, sem dúvida, um prazer.

Quem vai à Lisboa, a capital e mais importante cidade de Portugal, além da similaridade do idioma e dos  costumes dos nossos colonizadores, sente-se em casa, acolhido pela simpatia e alegria dos portugueses, lisboetas e afins.
Hoje em dia, com a crise econômica que alastra todo o continente há alguns anos, pode-se ver no semblante dos lisboetas preocupação. Com o desemprego, a pobreza. Mesmo assim, o otimismo predomina nas conversas políticas pelas tascas, casas de fado, nos bondinhos e nos cafés da cidade.

Lisboa fica às margens do Rio Tejo, com seus mais de mil quilômetros de extensão, que nasce na Espanha e deságua no Oceano Atlântico, passando pela cidade.

Os lisboetas são bem servidos de comboios, metrô e os Carris - os charmosos autocarros amarelinhos, que circulam pela cidade baixa e sobem as ruas antigas de Alfama (um dos locais históricos mais lindos que eu já vi ), tão peculiar, tão poético, com suas roupas coloridas penduradas nas janelas.
Praça do Comércio, com os famosos Carris, no seu sobe desce pela cidade antiga. 
Lisboa respira poesia - que o diga Fernando Pessoa - e ao subir no Ascensor Santa Justa ( paga-se 1 ou 2 euros ) - construído nos anos de 1900, e que liga a Rua do Ouro à  Rua do Carmo, é possível sentir essa poesia.
Pode-se observar o Castelo de São Jorge ao fundo, as casas do Baixo Chiado, o Rocio, a praça do Comércio às  margens do Rio Tejo e o convento do Carmo, a Avenida Liberdade - principal da cidade, que liga a praça dos Restauradores à Marques de Pombal.
Ao contrário do que muitos pensam, não há ligações entre a construção desse elevador e Gustave Eiffel, de Paris.
Vista do Elevador Santa Justa, com o Castelo de São Jorge ao fundo
Gaste algumas horas andando calmamente por essa parte da cidade, a Rua Augusta com suas lojas e barracas de flores.
Pare em um dos cafés, e aprecie um pastel de natas ( o de Belém, deixe para experimentar lá em Belém! ), um expresso, ou uma pequena dose de ginginha, um clássico licor português.

Pasteis de Nata, num dos cafés da Rua Augusta
Ou almoce no João do Grão http://joaograo.pai.pt/, uma legítima tasca portuguesa, à poucos metros da Confeitaria Nacional http://www.confeitarianacional.com/home.html, com seus tradicionais bolo rei e os bolinhos de amêndoas. Sinta o perfume, os ruídos locais. Sem pressa.
Lisboa é cidade para se apreciar com calma, pra se ver com o coração, assim como a poesia de seus versos.

Casas do centro de Lisboa, com suas paredes de azulejos trabalhados.  Quanta beleza na história das construções. 
Com mais alguns dias pela cidade, pode-se pegar um trem na estação do Rocio, e seguir rumo a Sintra, uma pequena vila que pertence ao distrito de Lisboa.
Um lugar que transpira história, com seus palácios, bosques e hortos, conventos e castelos.
Quando desembarcar na estação de trem em Sintra, pegue um mapa gratuito da cidade, com dicas de locais para visitação, na porta da estação. Alguns passos adiante, e verá os micro ônibus que circulam pela cidade, fazendo o circuito dos castelos. Há 2 circuitos disponíveis. Tente se organizar pra conseguir conhecer todos num único dia. É corrido, mas vale a pena.

Um dos locais mais bonitos de Sintra, é a Quinta da Regaleira, construída em 1900, para a morada de uma Baronesa.  http://www.regaleira.pt/Regaleira.aspx?aid=100003
Passear por suas alamedas, e apreciar a vista da Vila, por uma das sacadas do palácio é, sem dúvida, uma experiência única, de conto de fadas.
Quinta da Regaleira, com ar de romantismo, em meio a uma floresta luxuriante. Um conto de fadas. 

O Castelo dos Mouros e sua construção medieval, com suas muralhas, também é imperdível.


Ruas da Vila de Sintra
Após conhecer os castelos, ao voltar para a estação de trem, e retornar a Lisboa, se ainda tiver disposição após tanta cultura e beleza, não deixe de ir a um jantar no Clube do Fado http://www.clube-de-fado.com/, atrás a Igreja da Sé, em Alfama.
Peça uma garrafa de vinho verde, para acompanhar um bacalhau à lagareiro, que chega à mesa fumegante, em uma panelinha de ferro. E aprecie... ouça os fados tão bem cantados pelos artistas conhecidos e anônimos que se apresentam na tasca durante a noite toda.

Ir à Lisboa e não conhecer Caiscais, seria lamentável.
Outra vila portuguesa, destino de milhares de turistas nacionais e estrangeiros, que gostam de praia com areia branca, ruas encantadoras de comércio, de cultura e calmaria.
Próximo a Estoril - onde fica um dos maiores e mais antigos casinos da Europa, Caiscais está a aproximadamente 1 hora de trem - ou comboio, partindo da estação Cais do Sodré, no centro da Lisboa.
A viagem é uma experiência à parte, com o comboio beirando o mar, na costa do sol. Belíssimo!

Caiscais - antigo retiro de verão da monarquia portuguesa

Ande calmamente por suas ruas estreitas, de casinhas antigas com fachadas coloridas. Sente em um dos bancos e observe os pescadores a coserem suas redes, ao lados dos barcos coloridos na Praia dos Pescadores.
Talvez, perca a hora e nem queira voltar para Lisboa, como aconteceu comigo.

Sente num dos bares espalhados pela orla, e aprecie sem moderação

Mas, Lisboa também é moderna.
Com seu Ocenário http://www.oceanario.pt/, teleférico e um grande Mall, o Vasco da Gama, o Parque das Nações, está situado na parte oriental da cidade. Foi construído para abrigar uma grande exposição internacional.
Com arranha céus de escritórios, áreas verdes, um Casino e vários restaurantes, parece uma cidade dentro de outra cidade. Vale a pena conferir!

Antes de ir embora, vá até Belém, para ver o famoso Mosteiro dos Jerônimos, uma construção de 1500, que demorou quase 100 anos para ficar pronta.
A Torre de Belém, construída na era das descobertas, em homenagem ao padroeiro da cidade - São Vicente. E a escultura do Padrão dos descobrimentos, em homenagem as naus que partiam para as descobertas.
Padrão dos descobrimentos, com a ponte 25 de abril ao fundo, numa tarde linda de sol
A Ponta 25 de Abril, tão parecida com a Golden Gate, de São Francisco, nos EUA impressiona. O nome dessa ponte é uma homenagem a Revolução dos Cravos, que ocorreu em 25 de abril de 1974, quando os soldados puseram cravos nos canos de suas armas, e se revoltaram contra a ditadura mais longa do mundo.

E se suportar a enorme fila de turistas, experimente os famosos pasteis de Belém.
Por sorte, verá alunos do ensino médio, fazendo suas apresentações de música folclórica pelas ruas do bairro.

Estudantes em apresentação de musica folclórica

Dar adeus a Lisboa, pra mim é sempre um ... até breve. É trazer na mala a saudade de uma terra hospitaleira, de uma gente otimista, pessoas de bem, trabalhadoras, e que mesmo enfrentando as dificuldades econômicas atuais, sentem no futuro, nas margens do rio Tejo... os bons ventos, de tempos melhores.

Pra mim, Lisboa tem cheiro... cheiro de solidariedade, de amor.

Pichação na Rua Augusta, numa manhã de sol. No dia seguinte, passei na mesma rua, e já não estava mais lá a frase. A polícia havia retirado. 

Então... senhores passageiros, tenham todos uma boa viagem! :-)

Tenho em mim, todos os sonhos do mundo. Fernando Pessoa. 














Verão em Buenos Aires e Inverno em Santiago 

Buenos Aires 

Seja pelo real valorizado, ou o peso argentino desvalorizado, pela proximidade física ou pela ausência de barreira no idioma. Ou ainda pela motivação em conhecer mais um ou o 1º pais além do seu... viajar para Buenos Aires, na Argentina, ainda pode ser uma experiência interessante, apesar da alta inflação que dificulta as coisas por lá. 

Atendendo a pedidos, e pensando em ajudar àqueles que vão para o destino pela 1º vez, compartilho algumas dicas e curiosidades de alguns dos pontos turísticos da cidade, com jeitão sofisticado, mas... que  sofre com a crise econômica do país.  

Buenos Aires tem como característica largas avenidas e praças arborizadas. 
Locais bastante conhecidos como a Recoleta, com muitos restaurantes, bares com mesinhas na calçada e uma atmosfera que remete a bairros parisienses, são parada obrigatória. 
Lá está o cemitério de Evita Peron - mas não gaste seu tempo em meio a centenas de turistas do mundo todo, para ver um túmulo. Deixe para quando for ao Egito, ver "múmias" mais interessantes. 
Não deixe de tomar um té com medias lunas no La Biela - um dos cafés mais tradicionais da capital portenha. Em frente a pracinha da Recoleta. 

La Biela - um dos meus cafés prediletos em Buenos Aires 

Conhecer o Caminito, no bairro de La Boca ( sim, é lá que está o Estádio La Bombonera, com suas arquibancadas que parecem que vão dar direto na rua de tão inclinadas ) é passeio obrigatório. 
Esse bairro foi construído às margens do Rio Riachuelo, local do 1º porto da cidade, e onde os escravos, aqueles que não tinham condições, podiam morar. Local importante para a história da civilização, do progresso de Buenos Aires. 
Há uma curiosidade sobre o porque das casas serem pintadas de cores em tons fortes. - mas isso eu não vou contar, para não estragar a surpresa da descoberta. :-) 
Para quem quer inovar e trazer lembranças diferentes da viagem, é uma boa opção, que foge dos tradicionais alfajores, já vendidos no Brasil. Artesãos, pintores, artistas em geral expõe suas peças pelas ruas do bairro. 
Caminito e suas lojas de artesanato

Aos domingos de manhã, há a feirinha de San Telmo, num dos bairros mais antigos da cidade. Vale dar uma conferida nas barracas de antiguidades, com suas garrafas de bebida gazeificada, as quiquilharias que contam um pouco da história da vida das pessoas, e disputar um dos poucos bancos disponíveis na pracinha. 
Compre uma empanada, uma garrafa de 7Up e observe o casal hermoso de dançarinos de Tango que se apresenta todos os finais de semana pelas ruas de lá. 

Ruas antigas de San Telmo

Para os fissurados por compras, ir ao Patio Bullrich  http://www.shoppingbullrich.com.ar/ é uma boa escolha - mas prepare seu bolso, pois as principais grifes, com seus preços altamente inflacionados estão por lá. 
E a famosa calle Frorida, no centro da cidade, onde está Galerias Pacífico http://www.galeriaspacifico.com.ar/ ( numa construção belíssima, com seus tetos pintados a lá Capela Cistina ), assim como a principal loja de magazine - Falabela - onde os  preços costumam ser mais convidativos. 
Muito cuidado com carteiras e afins. Quando for ao centro, use o menos que puder para evitar "surpresas" com os batedores de carteira. Infelizmente, um dos reflexos da forte crise que alastra o país. 

Seguindo pela Corrientes, com seus teatros e casas de espetáculo, pode-se chegar à Casa Rosada - Palácio do governo, local das grandes manifestações políticas do país. Esbarrar com algum ativista político segurando uma faixa de reivindicação por lá é fácil.
Há passeios por dentro da Casa, mas costuma-se ter filas gigantes de turistas, aguardando sua vez de entrar. 

E Puerto Madero, o bairro mais novo ( e caro ) da capital, com seus arranha céus, às margens do rio La Plata ( uma das várias lendas sobre o nome do rio, diz que quando os piratas navegavam por ali, em busca de tesouros escondidos no fundo, viam reluzir o ouro quando o sol batia sobre as águas. Daí, vem o nome... La Plata. essa é uma das lendas sobre esse rio que hoje, é o mais importante da cidade). 
Os galpões, armazéns foram reformados, e hoje abrigam os principais restaurantes da cidade. Quem quer comer um exquisito Ojo de bife... e está disposto a desembolsar um alto valor por isso... vale ir jantar num dos restaurantes de lá. Cabana Las Lilas é o mais caro ( e nem por isso o melhor ). 
Metros adiante, há o Restaurante Assador Crioulo, com uma ótima carne, com preço mais justo. 
Ou se preferir, vá conhecer o Casino flutuante da cidade, num dos extremos de Puerto Madero. Sem dúvida, é uma experiência única! http://www.casinopuerto-madero.com.ar/



Puerto Madero é considerado um dos portos mais caros do mundo. O fundo do rio é arenoso, e o calado ( a distância entre a superfície da água e o fundo do rio ) é baixo. Por isso, constantemente há embarcações que removem a areia do fundo do rio para suas laterais, permitindo que as "ruas" submersas possam ser navegadas pelas embarcações ( tudo mapeado por radar ). Só assim, é possível que grandes navios passem e atraquem no porto. Isso encarece os serviços por lá.  

Se tiver tempo... num domingo de sol, vale pegar uma das lanchas disponíveis no porto e subir o rio, rumo a San Isidro, ao delta do rio Tigre. 
São dezenas de pequenas ilhas, cujo acesso é feito somente de barco. Não há estradas. Casas de veraneio de portenhos, bem como de gente que resolveu fugir da agitação da capital e morar no "interior". Um paraíso! 
San Isidro, às margens do Rio Tigre 

Com sorte, durante o caminho pelo rio, vão esbarrar no barco supermercado. Esse é o único jeito de se fazer compras por lá. 

Taxis não são caros, e os Hop on Hop Off - aqueles ônibus vermelhinhos que circulam pela cidade, são uma excelente opção para quem vai só ou quer conhecer gastando menos. O circuito desses ônibus abrange todos os pontos turísticos e facilita bastante para ter uma visão geral da cidade. 

Lembrem-se... lugar de turista, geralmente, é fria. Pra comer e comprar. Os preços são muito mais caros. Controlem-se! 
Nossos hermanitos, apesar de inimigos mortais no futebol... costumam ser amistosos com brasileiros por lá. 

Santiago do Chile 

Em Santiago do Chile... são outros quinhentos. 
Santiago tem características únicas. Seja pelo relevo da cidade plana, com vista para a Cordilheira dos Andes, seja pela organização e limpeza de suas ruas, seja pelos novos bairros modernos ou pelo povo hospitaleiro e pacífico. 
Nos últimos anos o Chile tem apresentado forte crescimento econômico, o que se reflete na quantidade de empregos, na satisfação das pessoas e no baixo nível de criminalidade. 
Por lá... é fácil caminhar a noite pelas ruas, sem perigo de ser assaltado. 
O país ainda é um grande exportador de minérios, frutas, hortaliças e vinho para todo o mundo. 

Cerro de São Cristovão e sua vista privilegiada da cidade. O Mercado Municipal que abastece toda a cidade com frutos do mar, mexilhões e afins de altíssima qualidade. Parque Arauco e Costanera Mall - grandes centros de compras de marcas internacionais. A Avenida Vitacura e o parque El Golf são ótimas opções de passeios pela cidade. 

Bairro Los Leones 

A culinária chilena é vasta, com uma crescente mistura do tempero peruano.  
Seus frutos do mar são bastante saborosos. Um dos motivo é a temperatura da água do Pacífico, mais fria que a do Oceano Atlântico.  
Frutos do Mar do Chile são considerados os melhores. Águas do Pacífico deixam os peixinhos mais saudáveis! 

Com mais tempo de viagem, é possível adquirir nos hotéis um passeio até Vale Nevado, uma das mais famosas estações de esqui do mundo. 
A temporada na neve costuma iniciar em Junho e vai até Setembro, quando a neve atinge 40 cm de altura. 
Snow depois da descida da montanha

Essa estação foi aberta por um grupo de investidores franceses, que vinham esquiar na America do Sul, durante o verão europeu. As pistas de descida são classificadas por cores, e aos novatos como eu, sobra a escolinha de esqui, junto com as crianças. 
Ok, é mesmo humilhante ver um ser humanozinho de 3, 4 anos de idade com mais habilidade para se equilibrar no sky do que você. 
Atrever-se a subir no teleférico e descer por uma das pistas de bandeira verde ou preta é tragédia na certa. Mais prático e seguro é observar os radicais descendo na neve, do mezanino do restaurante. Os acidentes são frequentes, sobretudo as fraturas. 
Aviso: não tente ser valente lá em cima! Pode se arrepender e voltar com uma perna ou um braço quebrados. 

Há um complexo hoteleiro sobre a montanha, com uma equipe de mais de mil pessoas que vivem sobre a montanha durante os 4 meses de temporada da neve. Para bancar toda essa mega estrutura, os preços dos serviços são bastante salgados! http://www.vallenevado.com/pt/

Vale Nevado - irado! 

Do centro de Santiago até Vale Nevado, leva-se cerca de 3 horas de carro, em uma viagem emocionante pela estrada de mais de 40 curvas sinuosas, encravadas na montanha. Evite tomar um baita café da manhã antes de subir a montanha. Seu estômago agradecerá. 
E não queria ser valente como eu tentei ser. Alugue roupas de neve. Não duvide do seu guia local como eu duvidei. Ele não está querendo ganhar percentual sobre o aluguel, mas sim... te proteger do frio, que é mesmo de cortar. E quando a nevasca se aproxima... não há cristão que suporte a sensação térmica. Congelante! 

Santiago é muito bem servida de metrô, que atravessa os extremos da cidade com rapidez e eficiência. 

Pode-se ir até a estação final do metrô, e de lá pegar um taxi ( pegue somente os de cor preta. Eu não sabia, peguei qualquer um, e até explicar para o motorista e ele entender onde eu queria ir, ele se irritou e me deixou no meio da avenida, buzinando até eu pegar o taxi da outra cor )  para ir até a Vinícula de Concha Y Toro, uma das mais importantes do mundo, com mais de 8 mil hectares de parreiras, divididas em 26 tipos de cepas. 
Lá, há visitas monitoradas que explicam todo o processo de colheira, produção e armazenamento do vinho. Ao final, é possível degustar uma taça de vinho e levá-la de lembrança pra casa. Mas só é permitido tomar uma taça. Se quiser mais, há uma lojinha pra comprar quantas garrafas quiser e aguentar carregar. 
As cepas costumam dar seus frutos a partir de fevereiro/março... época em que os passeios pelas parreiras se torna mais bonito ainda. http://www.conchaytoro.com/web/

Vinícula Concha Y Toro - uma das mais importantes do mundo

Essa são algumas dicas de alguns pontos turísticos. Em 4, 5 dias, é possível conhecer as duas capitais e trazer boas lembranças na memória. 

Então... senhores passageiros, tenham todos uma boa viagem. :-)

bjs,